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Paulo José da Costa é livreiro e ex-funcionário do Banco do Brasil.   Considera-se um garimpador da memória, procurando nos sótãos e porões as fotos antigas, postais, cartas, diários com que alimenta sua paixão que tem foco no cotidiano.  Pesquisador de história da música e do cinema, postando raridades no youtube.  Mantém enorme acervo de cds, dvds, fitas, vinil, discos de rádio, 16 polegadas, 10 polegadas, compactos e o escambau. Ex-libris, filmes antigos, gravuras, affiches, cartas, jornais antigos, albuns de família, postais, a lista é grande. Sempre procurando mais. Tem quatro blogs e desenvolve projeto de livro sobre o cotidiano paranaense através das fotos de família entre 1870/1960. Mantém arquivo de memória paranaense e catarinense.

16 November 2006

Os cinemas do meu tempo de guri


Os cinemas de meu tempo de guri eram três: o Renascença, que a gente chamava carinhosamente de "rena", o Ópera e o Império. Este último sempre foi meio "pulgueiro", tanto que muita gente não o freqüentava. Ainda noutro dia, conversando com uma senhora muito idosa, que me presenteou com um monte de fotos antigas da Princesa, (pra quem não sabe, como também é conhecida minha cidade natal, Ponta Grossa) disse-me ela, com muito orgulho, que nunca havia entrado no Império, que só ia no Rena e no Ópera...
Pois é, acho que o Império era o cinema da gurizada e do povo mais simples, tanto que na quarta-feira havia uma sessão chamada "pão-duro", onde se assistia a uma montanha de filmes, quase sempre três, por um preço mais em conta. No sábado também havia uma sessão noturna muita frequentada. Mas, guri que era, a que eu gostava mesmo era a de domingo à tarde. Começava sempre às 13:30 e acabava lá pelas cinco e meia, às vezes seis, seis e meia... A gente saia de lá meio zonzo com tanta barulheira e tiroteio. Eram quase sempre 3 filmes e um seriado. Para abrir a sessão,  um curta ou um desenho e o invariável Canal 100, com os jogos de futebol da semana passada no Rio de Janeiro. Quem viveu não esquece daquela musiquinha do Canal 100 ... "tatatá, taraaaaaaa, tá, tatatá taratatata, tatatataratata, tatatataratatáaaaaa.... Em seguida vinha o primeiro filme, um faroeste , ou um daqueles filmes de heróis da mitologia, tipo Maciste, Hércules, Perseu e outros tantos, protagonizados pelos precursores dos rambos e schwarzenegers de hoje. Nas cenas de luta, tiroteio ou perseguição, gritávamos e batíamos os pés no piso de madeira, e a barulheira era tanta que quase não se ouvia o som do filme. Levantava uma poeira só do velho chão de tantas histórias. Quando me lembro a emoção toma conta. Depois vinha um filme romanção mexicano, para encher linguiça, ou um musical, sempre acompanhado de infindáveis vaias cada vez que alguém principiava a cantar... Então vinha mais uma aventura, haja coração, mais um bangue-bangue, uma comédia do Jerry Lewis ou uma chanchada da Atlântida com muita música e a briguinha na boate bem no final... E haja poeira. E haja gritaria.
Os seriados eram a coroação da tarde de aventuras. Apesar de serem dos anos 30/40/50, continuavam sendo exibidos ainda em 1961, 1962, 1963... Assim, apesar de ter nascido em 1950, tive a ventura de ainda pegar "Os perigos de Paulina", "Flash Gordon", "Nioka", " O Rei da Polícia Montada", "Império Submarino", e o meu preferido, "A Deusa de Joba". Para vocês terem uma idéia da paixão, mandei buscar nos EUA alguns desses seriados, como os dois últimos que citei, mas antes não o tivesse feito, pois ao revê-los desfez-se a magia, o encanto. Vi o quanto eram fraquinhos, bobinhos, e me dei conta que a magia era o momento e esse não volta mais. Por isso, amigos, não queiram no futuro rever os filmes que viram quando jovens. Será uma decepção. O encanto se desfaz.

2 comments:

  1. Senti a mesma coisa quando revi a Rainha de Joba!

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